Vou ser completamente honesto com vocês: por se tratar de um filme baseado em jogos, fui quase sem expectativa para assistir ao novo Rampage: Destruição Total. Não que o filme não tenha coisas promissoras. Temos um filme de ação, orçamento mediano, monstros gigantes e Dwayne “The Rock” Johnson. Minha baixa expectativa é mais por conta de como foram os filmes baseados em games ao longo dos anos.

Acontece que eu saí surpreso do cinema! Foi muito satisfatório ver o ar que o diretor Brad Peyton deu ao filme. Na verdade, até faz sentido. Brad já dirigiu outros dois filmes de ação estrelando The Rock: Viagem 2: A Ilha Misteriosa (2012) e Terremoto: A Façha de San Andreas (2015), então os dois já conhecem suas respectivas linhas de trabalho.

Antes de tudo, deixa eu dar um pouquinho de contexto para quem não conhece a formosa franquia Rampage. O primeiro jogo da série foi lançado nos fliperamas em 1986, simplesmente intitulado “Rampage”. A ideia básica de como jogar é parecida até hoje: Você controla um animal gigante (que era um humano antes de mutações acontecerem durante experiências) que tenta sobreviver aos ataques militares. Você vence quando a cidade na qual você está jogando estiver completamente destroçada. No primeiro game é possível controlar 3 animais, George, Lizzie e Ralph. Estes 3 animais marcaram a franquia e são os personagens principais até hoje.

Após o primeiro jogo, tivemos Rampage: World Tour e Universal Tour, um jogo exclusivo para playstation chamado Rampage Through Time, um spin-off chamado Puzzle Attack para Gameboy Advance e finalmente, o jogo que deu nome ao filme: Rampage Total Destruction, para PS2, Gamecube e Wii. É engraçado notar que quando o assunto é crítica especializada, a franquia nunca se deu muito bem, mas conquistou o carinho do público ao longo dos anos por ter um multiplayer divertido e jogabilidade simples. Rampage Total Destruction vendeu mais de um milhão de unidades e recebeu um prêmio de Player’s Choice, apesar da recepção mista da crítica.

Agora que já falei da história geral de Rampage, vamos falar do filme! Não vou entrar em detalhes da história, afinal penso que ninguém curta spoilers. Vou dizer, porém, que a trama é simples e muito divertida. É o tipo de humor que você espera vindo de um filme com o The Rock, mas com algumas viradas interessantes.

Antes de entrar em detalhes, é bom eu dizer o seguinte: Eu não vou avaliar o filme como se ele quisesse ser o novo “O Poderoso Chefão”, porquê não quer. Acho injusto qualquer avaliação feita por esse tipo de parâmetro. Rampage: Destruição Total quer te divertir por duas horas sendo um filme de ação leve, e é baseado nisso que irei avaliá-lo.

Uma coisa muito difícil para filmes baseados em jogos é decidir o quão fiel o seu produto final vai ser ao produto do qual ele tira inspiração. Rampage: Destruição Total, na minha humilde opinião, acerta com perfeição nessa medida. O filme não é nem tão próximo aos games a ponto de fazer com que a trama se limite, e definitivamente nem tão longe que faça você esquecer que está vendo algo relacionado à Rampage. Acontece que as principais referências são relativamente óbvias para qualquer pessoa que goste, e não estão sendo jogadas na cara de quem não conhece, fazendo com que todas as pessoas tenham uma experiência parecida em relação à trama, mas que os fãs se sintam homenageados nos momentos certos.

É interessante o desenvolvimento dos personagens (pelo menos dos principais, já que um ou outro secundário nem precisava estar no filme, honestamente). Quase todo mundo tem motivações aparentes e razoáveis, fazendo com que nenhum deles pareça unidimensional ou forçado. Cada personagem importante tem um ou mais objetivos no filme e, conforme o filme vai falando da vida de cada um, esses objetivos vão ficando mais aceitáveis.

Em relação aos efeitos especiais o filme novamente me surpreendeu. Ousa muito e, ao contrário do que eu esperava, faz melhor o possível para dentro do orçamento para mostrar toda a ação que quer, e dificilmente apela para borrões e movimentos repentinos de câmera para tentar manter intensidade. Suas cenas de ação são tão competentes quanto as de qualquer blockbuster atual.

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Vou falar de um aspecto do filme sobre o qual eu tenho sentimentos mistos: O som. Não que o som esteja ruim, pelo contrário, em diversas cenas ele completa bem o que está sendo visto na tela, mas em alguns momentos ele me pareceu muito alto. Pode ter sido regulagem da sala de cinema, mas ficou na minha cabeça. Reforço: Não achei ruim, apenas muito alto.

Todos os personagens principais possuem química e/ou carisma (incluindo animais), e a direção do filme é básica, porém bem feita. Além de The Rock, temos nomes relevantes como Naomie Harris (007, Moonlight) e Jeffrey Dean Morgan (The Walking Dead, Watchmen), com papéis divertidos e que funcionam bem entre si. Minha tristeza ficou com alguns personagens secundários, principalmente porque alguns simplesmente aparecem uma vez para introduzir uma situação, ficam em um gancho interessante e nunca mais aparecem ou se desenvolvem. Mas no que diz respeito aos personagens principais, gostei bastante, mesmo que o interpretado por The Rock seja mais desenvolvido. Os outros são um pouco mais estereotipados, mas fazem o trabalho deles para a história

Minha única preocupação durante o filme era com uma cena ou outra em que eu pensava “Mas será que isso aconteceria mesmo dessa forma?”. Aí eu me lembrava que estava assistindo um filme com um gorila albino mutante e gigante pulando de prédio em prédio perseguido por helicópteros, parava de me preocupar e voltava a aproveitar.

No final das contas posso dizer com tranquilidade de Rampage agora é minha adaptação de videogames para o cinema preferida e um filme muito legal de assistir (contando que você o leve como diversão).

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