Planeta dos Macacos: A Guerra é um filme de ficção-científica distópica extremamente competente e consegue quebrar uma das maiores maldições do cinema: ser o terceiro filme numa trilogia sem jogar abaixo todo o trabalho que foi feito anteriormente.

Neste filme os humanos e macacos estão em guerra total, e Cesar, o macaco líder, precisa conduzir seu grupo de símios super-inteligentes para algum lugar em que possam evoluir em paz.

Obviamente tudo dá errado. E Cesar e um pequeno grupo dos macacos mais próximos precisam ao mesmo tempo vingar uma tragédia pessoal feita ao grupo e também encontrar um caminho para salvar a espécie deles de um grupo militar humano altamente cruel e violento liderado pelo Coronel (interpretado pelo excelente e sub-apreciado ator Woody Harrelson)

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Quem ver o filme poderá ter uma ideia do estilo de direção de Matt Reeves (também responsável pela direção do 2º filme da franquia), que foi o diretor escolhido pela DC para liderar o próximo filme do Batman, com Ben Affleck no papel principal.

Apesar de Planeta dos Macacos por vezes se apresentar quase como um desenho-animado, tamanha a carga de CGI investido para fazer as cenas com muitos macacos em ação, pode-se perceber uma excelente visão do diretor para fazer cenas de ação e imprimir carga dramática nas cenas de tensão. (E são muitas).

O grande conflito acontece entre como os humanos e os macacos podem ou não conviver no mesmo planeta.

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E é interessante ver os humanos agindo como os seres mais irracionais da história.

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— ATENÇÃO: A PARTIR DAQUI TEREMOS SPOILERS! —

 

 

 

 

 

 

Essa irracionalidade dos humanos aparece como efeito metafórico mas também como um efeito prático dentro da história do filme. O vírus que matou grande parte da população no segundo filme agora mutou e ameaça tirar a cognição dos seres humanos que restaram.

Os macacos irão de qualquer forma reinar no planeta. A não ser que o Coronel e seus militares consigam parar a infecção e destruir Cesar e os macacos.

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O filme que fecha esta trilogia consegue de maneira bem inteligente juntar pedaços que convergem para se alinhar com os acontecimentos do primeiro filme do Planeta dos Macacos, feito em 1968 e estrelado por Charlton Heston.

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O vírus que tira a capacidade de fala dos humanos é a conexão para muito dos acontecimentos no filme de 68, e uma personagem introduzida neste filme é também uma personagem do filme original, a humana Nova, que acompanha o astronauta Taylor (Heston) quando ele viaja no tempo (para o futuro!) e descobre que o Planeta dos Macacos é na verdade o próprio planeta Terra, e que tudo que aconteceu foi fruto da nossa própria incapacidade de viver em paz.

Se a paranóia da década de 60 era o perigo nuclear, nesta década o perigo é visto pela ótica da guerra biológica, das mutações e da distopia ecológica. Cada época com seus problemas para dormir em paz.

E a batalha final, extremamente bem construída e dirigida, é o final que este filme merece. O planeta é dos macacos, afinal.

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