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Quando o Chespirito morreu, eu chorei como se alguém da minha família tivesse morrido. Alguns podem achar superficial, mas a relação que criei ao longo dos anos com o Roberto Bolaños foi de absoluto respeito e carinho. Um carinho que antes eu julgava imaturo e exagerado de fãs com os seus ídolos, mas com Bolaños, eu entendi.

Roberto entrou na minha casa todos os dias por muitos anos. Roberto me ajudou a sorrir em fases difíceis. Roberto jogava bola comigo, tomava chá comigo, com Dona Florinda e com o Professor Girafales enquanto eu comia um delicioso sanduíche de presunto ao seu lado. Roberto me ajudou a enfrentar, com muita alegria e um sorriso no rosto, o temido Alma Negra, o Poucas Trancas e o Tripa Seca. E sempre que eu pensava que alguém não poderia me salvar, lá estava o Chapolin Colorado.

Roberto, que emociona e comove não só por sua genialidade incontestável, mas porque através de uma linguagem considerada infantil por ser simples, espontânea e inocente, ele conseguiu chegar aos corações de todos. Eliminando as barreiras do tempo e quebrando as fronteiras, chegando à países como Austrália, Estados Unidos e Portugal. Roberto que ganhou ainda mais o meu coração quando eu percebi a, desculpem a indelicadeza, puta crítica social que era Chaves. Um menino pobre que não tinha nada, mas ainda assim sabia dividir o pouco que tinha e sorrir apesar das dificuldades.

Roberto… não contávamos com sua astúcia e também não contávamos com a infortúnia descoberta, há exatos dois anos, de que o nosso melhor amigo da infância, também era mortal. Pelo menos seu corpo era. Só o amor eterniza, Chespirito – você sabe bem disso. E, acredite, Roberto: você foi, é e sempre será nosso eterno companheiro. Como foi companheiro dos nossos pais e será dos nossos filhos.

Simplesmente obrigado Roberto.