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Vamos começar dizendo que Black Mirror é uma série que foge da métrica de absolutamente todas as séries que você já viu, e não, eu não estou exagerando. Se você gosta de continuidade, se você se apega a personagens e se você não está pronto pra levar um soco no estômago por episódio, você não está pronto para Black Mirror.

Diferente de American Horror Story que tem o mesmo elenco, mesmo que em cada temporada as histórias sejam completamente diferentes, Black Mirror sequer mantém o mesmo elenco a cada EPISÓDIO. Ou seja, a cada episódio a história é fechada, completamente diferente e com personagens (elenco) completamente diferentes que se conectam por um elemento em comum: a tecnologia. As histórias se passam em um futuro não tão distante onde a tecnologia e o vício que ela causa, levou a sociedade à uma futilidade extrema e quase inacreditável.

Mas por que é uma série perturbadora? Não, ela não tem monstros. Ela não é nada como American Horror Story ou Bates Motel com histórias de terror explicito. Ela ultrapassa qualquer terror que eu já tenha visto, porque, diferentemente dessas séries, que assustam momentaneamente, Black Mirror te faz ficar refletindo por horas depois de assistir aos episódios, pois eles retratam todas as -MUITO- possíveis consequências que esse futuro tecnológico nos apresenta. É uma espécie de terror psicológico. O único monstro é a tecnologia e tudo que a envolve.

Mas, então por quê? Por que ela é perturbadora? Porque ela é real. Veja, por exemplo, em séries de terror explícito como Bates Motel, American Horror Story, The Walking Ded, você pode sentir medo, você pode ficar assustado, mas você sabe que aquilo não é real. Agora, as diversas situações que Black Mirror coloca para o nosso universo tecnológico são muito possíveis e perturbadoras.

O primeiro episódio da primeira temporada, por exemplo, retrata o primeiro ministro inglês, no que parece ser uma época bem atual, sendo obrigado, através de chantagens, a transar ao vivo com um porco na televisão britânica pra poder salvar a vida da princesa. Sim. Você não leu errado. Após o sequestro da Princesa Susannah, o vídeo do sequestro é postado no Youtube. Nele, a princesa surge amarrada, e é forçada a ler um texto escrito pelos sequestradores. Descobrimos então que as condições para ela ser libertada, são que o primeiro ministro inglês, Michael Callow apareça em rede nacional, sem cortes, sem truques… Transando com uma porca. E o episódio é… bom, pura tensão.

E não somente o roteiro é responsável por criar esse clima “creepy”, mas a fotografia da série também, que é diferente de acordo com cada história, tem episódios extremamente coloridos, satíricos e caricatos e episódios assustadoramente monocromáticos, perturbadores e escuros. Claro, isso também se dá porque cada episódio é realizado por um diretor diferente.

Esse texto é pra você que está se perguntando, “mas será que eu devo assistir Black Mirror?” Sim. Você deve. Mas prepare-se para a sensação constante de que alguém está te observando ou de que algo está prestes a acontecer.