Eu sou incrivelmente incrível em recomendação de apps.

Em 2011 eu disse que um dos apps do ano era o Waze, um revolucionário GPS social que você pode baixar gratuitamente. Depois disso o Google comprou o Waze (U$ 1 bilhão, “with a b!”) e todo mundo passou a usar o app pra fugir de blitz da lei seca (que feio, genti). Em 2012 o Duolingo entrou na minha lista de melhores apps, e qual não foi a minha surpresa quando vi que o Duolingo foi eleito o melhor app de 2013 pela App Store.

Ano passado indiquei o Swiftkey e então a Apple liberou o app pra iPhone.

Mas a minha mediunidade ficou mesmo comprovada nessa passagem:

O Whatapp já tem mais usuários que o Twitter. É nele que as pessoas acabam descobrindo os vídeos virais do dia. É rápido, leve, funciona, aceita várias mídias e as mensagens não se perdem. Jovens estão saindo do Facebook e indo pra onde seus pais não estão: e o Whatsapp tem grandes chances de ser esse lugar no futuro.

Enfim, ouçam o que eu falo. Na minha lista de melhores apps de 2013 pode estar o próximo app de um bilhão de dólares.”

Errei por 15 bilhões, já que o Whatsapp foi comprado pelo Facebook em fevereiro por U$ 16 bilhões.

Vamos a lista de 2014:

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1 – Paper

O Facebook assumiu que a experiência do seu app principal é sofrível e resolveu desmembrar seus produtos em apps que, cada um, faz bem uma coisa. Assim, lançou o Messenger em um app separado e o Páginas em um app separado. Também lançou dois apps esquisitos que ninguém entendeu ou baixou: Rooms e Slingshot.

Mas o mais lindo e pouco comentado lançamento do Facebook este ano foi o Paper, um aplicativo lindamente desenhado, com transições fantásticas e uma fluidez de uso muito difícil de encontrar por aí. O app não tem o tipo de navegação clássica, nem um menu como estamos acostumados, nem uma timeline vertical óbvia. E mesmo assim é facílimo de entender e usar.

Ele é incrivelmente visual, apresentando os posts em cards e misturando sua timeline com as principais notícias de assuntos que interessam você. Por causa do Paper larguei qualquer outro app de feed de notícias – inclusive o fantástico Flipboard, que com o Paper se torna obsoleto.

O Paper não é só uma nova forma de ler as notícias. É uma nova forma de se fazer apps.

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2 – Starbucks

Esse foi o ano que o app da Starbucks se consolidou no mercado americano, movimentando mais de 1 bilhão de dólares em pagamentos mobile e representando 16% das compras da loja de café. Mas o app não faz só pagamento: toda semana você ganha uma música, ou um app, ou uma revista, ou qualquer outro produto da iTunes Store que, de outra forma, custaria dinheiro, mas o app da Starbucks te dá de graça. Isso faz você amar aquele pequeno app.

Além disso, é claro, mostra a Starbucks mais próxima e dá desconto no seu café favorito. É o cartão fidelidade do nosso tempo, primorosamente executado, e sem concorrentes a altura nesse promissor mercado. Esperem várias tentativas parecidas em 2015.

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3 e 4 – PhotoMath e WordLens

A realidade aumentada demorou para acontecer. Todo ano é o “ano da realidade aumentada”, mas o negócio não decola ou porque os apps são pesados e difíceis demais de usar, ou porque a funcionalidade do app simplesmente não tem demanda. Pra que eu quero um app pesado de realidade aumentada que me mostra a estação de metrô mais próxima se o Google Now faz isso em segundos por comando de voz?

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Mas o PhotoMath e o WordLens são um primor de utilidade e leveza. O primeiro resolve problemas matemáticos rapidamente, basta apontar a câmera do celular pra equação. E o segundo parece mágica: traduz qualquer idioma em tempo real, de uma forma absolutamente surpreendente.

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5 – Kindle

Até os maiores defensores do livro de papel ao se depararem com a praticidade do Kindle levam um susto. E a tela grande dos novos iPhones faz com que a experiência de leitura no smartphone seja agradável. O problema de não poder comprar livros direto no app (a Amazon não quer pagar porcentagem pra Apple) não existe no iBooks, mas o Kindle tem mais acervo e amostras grátis de tantos livros que você vai questionar a necessidade de ir novamente a uma loja de livros física.