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Chegou a hora de finalizarmos nosso especial Copa do Mundo com a história dos games de futebol. Iniciamos com o manager de PC Elifoot e o game do Pelé para Atari, passamos em dois posts pelo Nintendinho, primeiro com os jogos ruins, depois com os bons, seguimos com um apanhado geral pelos consoles da Sega. Em meio a tudo isso, relembramos os jogos oficiais de Copa e os inesquecíveis games de futebol do fliperama.

Agora, para fechar, vamos falar do melhor videogame de todos os tempos: Super Nintendo. Tudo bem, posso estar exagerando (só um pouquinho). Há uma enormidade de games de futebol para Super NES, muitos dos quais mereceriam um post exclusivo. Certamente devo ter dado pelo menos uma jogadinha em quase todos.

Como precisamos acabar essa série algum dia, e seguindo a regra do “games memória“, vou falar daqueles que mais marcaram minha vida gamer. Também não serão comentados títulos já visitados em outras plataformas, nem vou ficar chovendo no molhado dizendo se os games têm opções de tática e formação (todos dessa geração tem). Vamos nos atentar nos aspectos mais curiosos – e se você achou que falta algum game ou detalhe, comente!

Capcom’s Soccer Shootout | Striker

Esses não são tão conhecidos, mas esse games memória não seria sincero se eu não falasse deles, já que joguei muito. “Soccer Shootout” é um futebolzinho bacana da Capcom (nenhuma novidade, ela não sabia como fazer jogos ruins). Curiosidade eram os nomes dos jogadores: sem a licença dos verdadeiras, usavam-se versões parecidas, como Taffe (Taffarel) ou Mario (Romário), algo que virou costume em jogos do período (veja abaixo a escalação do Brasil).

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Já no caso de “Striker” (abaixo) o destaque era o fato de ser um dos futebóis mais customizáveis do Snes. Eu podia mexer nos uniformes e jogar um campeonato brasileiro “caseiro” usando meu time do coração (o Grêmio, não escondo de ninguém). Ambos os games tinham um modo indoor (futsal) muito legal, com uma barreira invisível que impedia a bola de sair. Depois de um tempo pegava-se a manha para tabelar com a parede na criação de jogadas.

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Mega Man Soccer | Battle Soccer: Field no Hasha | Dolucky no A.League Soccer

Pela fama, o robozinho azul da Capcom encabeça essa lista de jogos, muito parecidos. São futebóis cheios de chutes especiais e poderes (estilo Kunio Kun no Nekketsu, comentado no capítulo do NES). “Mega Man Soccer” (primeira imagem) traz times formados pela turma do herói e também pelos vilões criados pelo Dr. Wily.  “Battle Soccer: Field no Hasha” tem de mais especial reunir um time de celebridades: Ultraman, Kamen Rider, Gundam e Godzilla (imagem do meio). Já “Dolucky no A.League Soccer” é legal por que tem gatinhos e bichinhos fofinhos em campo – bom para convencer o afilhado pequeno ou a namorada a jogar futebol virtual.

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Super Formation Soccer

Essa franquia foi uma das opções mais populares de seu tempo, pelo menos até o crescimento de FIFA e ISS. A visão era bastante diferente de outros games de futebol – a câmera traseira afastava-se ou aproximava-se conforme o ataque chegava perto do gol. Ao terminar o campeonato, um “supertime” roubava a taça, e era preciso vencê-lo para fechar o jogo. A versão “Super Formation Soccer 96: World Club Edition” tinha clubes que imitavam duas importantes equipes brasileiras: Tararingo, que era o Flamengo, e Doremiso, simulando o Grêmio (dá-lhe!!!).

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Super Copa

A grande curiosidade é que “Super Copa” foi oficialmente lançado no Brasil em português pela Playtronic, empresa que representou a Nintendo por aqui durante um tempo. Era uma versão do “Tony Meola’s Sidekick Soccer“, jogo que homenageava o histórico goleiro da seleção dos Estados Unidos. Tinha muitos patrocínios reais, como Ruffles e Pepsi. A câmera conseguia ser ainda mais estranha que a do Super Formation: também traseira, mas girava constantemente para que o time que estava atacando ficasse sempre de frente para a meta. Meio vertiginoso.

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FIFA International Soccer

No capítulo sobre a Sega muito já foi dito sobre esse jogo. Ainda assim, vale lembrar que também foi uma franquia importante no Snes. E aqui mesmo no blog há um post especial só sobre o game, recordando o craque brasileiro Janco Tianno e os gols picaretas do jogo, como trocar o lado do joystick para comandar o time adversário e marcar contra (na verdade a favor) ou ficar parado na frente do goleiro quando ele tenta repor a bola (vá até o post e veja o vídeo).

International Superstar Soccer (ISS)

Sempre fui uma perdição nos campos da vida real, mas nos gramados do ISS eu era muito bom. E isso porque o game mereceu todas as horas de dedicação. ISS e seu sucessor ISS Deluxe, elevaram a outro patamar os games de futebol nos consoles. Variedade de movimentos, bom aproveitamento dos botões do controle, jeitos especiais de marcar tentos (leia-se “gol de manha”) e inovações que inspiraram o que hoje vemos nas séries Fifa e PES. Essa última, inclusive, é da mesma produtora, a Konami, e é considerada uma sequência da franquia.

Também já temos aqui posts sobre ISS, mas vale comentar algumas curiosidades. Primeiro, o memorável truque do juiz cachorro (“código Konami” na tela de apresentação, no segundo controle: cima, cima, baixo, baixo, esquerda, direita, esquerda, direita, B, A – um latido confirma o truque). Os caninos apitam, ou melhor, latem, marcando faltas, impedimentos e ainda engolem o cartão depois de aplicá-lo.

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Sem ser licenciado para usar nomes verdadeiros, ISS lançou uma coleção de craques que entraram para a história, cujo expoente máximo é o atacante brasileiro Allejo – ele até voltou a aparecer na versão mais recente do PES. Mas o bom mesmo era a festa da pirataria, que criou muitos hacks editados para ter jogadores e campeonatos reais.

Surgiram títulos como “Futebol Brasileiro 96” e “Ronaldinho Soccer 97“, com suas inesquecíveis narrações em “portunhol” (saque do goleiro, grande diogada). Como o jogo era feito em cima do oficial, aconteciam coisas curiosas como o Bahia ser o time mais forte (tinha por base o Brasil) ou o Grêmio ter no banco jogadores que eram da seleção de Portugal do ISS. As versões modificadas seguem sendo feitas até hoje, e na internet encontram-se roms para emuladores atualizadas, por exemplo, com o Campeonato Brasileiro de 2014.

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BÔNUS – games da geração seguinte

Terminamos aqui nosso imenso relatório sobre a história dos games de futebol. Não vamos além da era 16-bits, o que existe daqui para frente é considerado muito moderno para um “arqueólogo dos games“. Todavia, como para a gurizada do PS4 e Xbox One um PSOne é peça de museu, vamos dar uma rápida esticada de olho na geração seguinte, com vídeos de dois games da Konami que, podemos dizer, são embrião do super sucesso Pro Evolution Soccer (PES) – um dia, quem sabe, um games memória com a história completa.

International Superstar Soccer 64

Foi a primeira transposição do ISS para a nova geração de consoles, no Nintendo 64. Depois foram lançados jogos da franquia para PS, PS2, Xbox, Gamecube e PC:

Winning Eleven

WE era o nome que o PES recebia antes, mesmo aqui no Brasil. Na era do primeiro PlayStation a gente jogava “Winning Eleven” na locadora, não “PES”. Entre outras coisas, a série manteve os hacks com times brasileiros, alguns até com o Gauchão, trazendo narrações toscas, feitas pelos próprios hackers. Vale muito a pena ouvir:

Era isso, pessoal, já falamos bastante. Deixo vocês com muitas opções de games para treinar os dedos até a próxima Copa. Se você tem alguma lembrança, ou acha que faltou algo, deixe um comentário!