>>Em função de alguns leitores que provavelmente estão fazendo uma leitura dinâmica desse post e por isso interpretando tudo errado, já aqui, bem no começo, eu sublinho: eu não esperava um filme que fosse cópia fiel dos quadrinhos. É natural e desejável que seja uma interpretação do herói feita pelo diretor. A crítica é pelas – na minha opinião – incoerências internas da própria história da trilogia. O Batman de Nolan sempre marcou por buscar proximidade com a realidade, e nesse último filme me parece escorregar demais pela fantasia e situações sem explicação lógica.

Todo mundo sabe que eu sou baita fã do Homem-Morcego (basta olhar a camiseta do meu avatar no blog); adoro, leio, assisto tudo. Estava ruminando durante quatro anos à espera de um novo filme do Batman, desde “The Dark Knight“, de 2008. E eis que fui assistir “Batman: The Dark Knight Rises“. E eis que, me dói dizer, não achei um bom filme do Cavaleiro das Trevas.

Primeiro, ALERTA, este post não tem a menor preocupação com spoilers. É para quem já viu o filme e quer comentar, ou não se importa nem um pouco em saber antes o que acontece na trama. Se você não viu ainda, dê o fora daqui agora.

Seria chato eu ficar aqui enumerando todas as observações que fiz enquanto vi o filme. Minha esposa, que assistiu comigo, já teve que passar por isso e ficar me ouvindo – e concordou com tudo (ou fingiu que concordou para eu para de encher a paciência dela). Só quero compartilhar a decepção e dar alguns exemplos, deixando o espaço dos comentários para que outros fãs façam sua análise.

Como quase todo mundo, eu já temia que depois de um filme incrível como o antecessor, com um par de vilões tão profundos como o Coringa e o Duas-Caras, seria difícil não decepcionar. Mas o problema vai além dos inimigos. Não é um filme terrível, longe disso; mas eu achei cheio de situações mal costuradas e bobas, que quase fazem duvidar da inteligência dos personagens em alguns casos…

Seguem algumas observações (positivas e negativas). Deixem as suas nos comentários do post:

– de onde uma ladra comum tirou o treinamento de luta da Mulher-Gato (que, aliás, não é chamada assim no filme – essa coisa do nome é só uma observação, não uma crítica)? E dinheiro para seus equipamentos, já que ela mora em um prédio “sem elevador”? Pelo menos um óculos especial dá para notar que ela tem. Além disso, é intrigante como ela se adapta bem em pilotar a “batmoto” sem instruções detalhadas previamente. E porque demora tanto para chegar até o Batman no final do filme quando decide ajudar, mesmo em um veículo tão potente?

– como Bruce Wayne volta à Gotham ao sair do poço-prisão? Há apenas um acesso à cidade, totalmente vigiado. Seria uma boa situação para explorar. E por que os presos comandados pelo Bane ajudam na recuperação dos movimentos?

– o que é aquela cena dos policiais de Gotham avançando contra o exército de Bane?! Parece coisa de filme medieval! Por que o Batman deixou a “batnave” para brigar na mão, arriscando a vida de vários policiais? Eu sei que ele não mata, mas poderia usar a nave para protegê-los.

– de grande mente vilã, no final do filme Bane passa a quase um “Ubu“, aqueles guardas pessoais de Ra’s Al Ghul, só que versão da filha Talia Al Ghul. Também senti falta do “veneno” que lhe dá força nos quadrinhos. Ou como se explica ele quebrar uma parede com um soco? A coisa da máscara ser para aliviar a dor ficou muito inconsistente.

Talia Al Ghul é uma aparição legal no final do filme, eu esqueci que ela estaria na trama, e consegui ser surpreendido.

– o melhor personagem é John Blake (Robin). Era certo que o policial certinho acabaria virando o Robin, mas criar uma história nova para o Garoto-Prodígio era a única forma de manter o mistério. Será que agora pode ter um longa do Robin?

– já o Comissário Gordon me decepcionou, e muito. Como pode ter expressado surpresa no final do filme ao “descobrir” que o Batman é Bruce Wayne. Poxa, ele ainda não tinha matado a charada? Ele não sabia desde o primeiro filme?!

– que clichê cachorro o Batman levar a bomba com a nave para explodir sozinho! Vi quase o mesmo enredo em um desenho da Liga da Justiça Sem Limites há anos! E mais clichê cachorro ainda ele se salvar e aparecer feliz e anônimo um tempo depois!!

– ATUALIZAÇÃO (04/08): acrescento entre os clichês o tempo tirado para dar um beijinho na Mulher-Gato antes de salvar Gotham com uma bomba nuclear prestes a explodir…

Em resumo, não se trata de eu estar recomendando não assistir ao filme. Todos os fãs do Morcego devem ver o fechamento da saga e tirar suas próprias conclusões. Em seguida, compartilhe sua opinião aqui no blog.

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