sororidade

Tem aqueles dias que acordamos com vontade de passar maquiagem, colocar uma roupa bonita, arrumar o cabelo. Semana passada tive um dia desses e vivi uma situação peculiar. Um dos meus amigos quando me viu toda arrumada, disse “Olha só, de qual mulher queres ganhar hoje?” questionei o porquê da colocação e recebi a resposta “Por que mulher se veste pra mulher, ué”. Tenho que admitir que já havia escutado colocações como essa, mas não havia refletido profundamente sobre como elas influenciam nosso pensamento.

Nós, mulheres, crescemos achando que somos rivais. Lembro de situações na escola em que meus colegas meninos faziam listas das meninas mais bonitas da turma, da mais bonita até a mais feia, e -como eu não era uma das primeiras colocadas- minha vida girava em torno de “ser como elas”. Nossa realidade é essa, vivemos em uma sociedade que não nos permite olhar para outras mulheres com amor e compaixão. Quantas de nós dizem que preferem ter amigos homens e não se dão bem com mulheres, ou que se sentem ameaçadas quando o namorado/marido/parceiro começa uma amizade com uma mulher?

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Durante minha reflexão, lembrei de uma palavra que é muito comentada entre as feministas: sororidade. Fiz uma rápida pesquisa no Google para saber o significado da palavra e encontrei:

Sororidade é a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum. Do ponto de vista do feminismo, a sororidade consiste no não julgamento prévio entre as próprias mulheres. (Oficialmente, sororidade ainda não faz parte do dicionário brasileiro.) 

Acho que aí está uma das partes mais difíceis do feminismo. As raízes do movimento no Brasil estão ligadas a mulheres letradas, de classe alta, que foram entrando em contato com feministas de fora do país na década de 60. As pautas levantadas por elas são de extrema importância para nós atualmente: o direito ao voto, a entrar na universidade e ao divórcio. Porém, em sua grande maioria, eram mulheres que deixaram de lado as necessidades de mulheres que estavam inseridas numa realidade diferente da delas, por exemplo, suas empregadas.

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Hoje, com a popularização do movimento, com frequência encontramos textos de protesto na nossa timeline ou camisetas com a estampa “feminist” nas lojas. Não acho isso errado, muito pelo contrário, ainda bem que temos tantas mulheres aderindo ao movimento. Porém, não existe feminismo sem sororidade. Um complementa o outro em muitas formas: se não formos empáticas com a luta diária de cada uma, se não nos compreendermos e pararmos de criticar umas às outras, se não nos importarmos com a vida de mulheres diferentes de nós, a consequência será dar ainda mais poder ao patriarcado e ainda mais justificativas para a continuidade do machismo.

Two people holding each other close, dancing slowly in darkened room

É uma prática diária e precisa ser feita. A sororidade existe e nós precisamos dar inicio a essa corrente se quisermos ver uma mudança social real. Para que competir se, no fim, estamos todas em busca de um só propósito: nossa liberdade. Precisamos de um feminismo que vá além das redes sociais e das camisetas.

Repita comigo, nós não somos rivais.

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