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Existe uma razão para tudo nessa vida, e vocês vão ver o porquê aqui. Eu apresento a vocês uma das minhas inspirações:

Hanna Lucatelli mora em São Paulo e sempre teve a arte presente em sua vida. Desde pequena, ela aprendeu a desenhar. Por muitas vezes, ficou sozinha na casa dos avós, onde costurava com a ajuda deles. Isso só fez com que ela gostasse ainda mais do ofício. Por um tempo, uniu o desenho com a costura, mas acabou optando pela faculdade de administração. Era uma forma de negar o dom da família, já que sua mãe também trabalhava com arte. Quem nunca tentou ser diferente dos pais, né?! ;]

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# Se encaixar e se descobrir

A administração foi um caminho importante para Hanna. Ela aprendeu a viver, a cuidar de si, das questões financeiras e como lidar com pessoas. Mas nem tudo são flores, e o ambiente da faculdade é muito hostil para quem é um pouco diferente… Ela se viu em um lugar machista, patriarcal, com uma forma limitada de como a mulher deveria ser e um universo cheio de limites, onde tentar se enquadrar era um esforço gigante. Sempre do lado, a mãe de Hanna apoiava suas escolhas e acreditava que quem dá os limites é a vida. Até mesmo porque já percebia o olhar artístico e estético da filha.
Ela resolveu largar tudo e foi estudar teatro. Se despiu das roupas, das maquiagens e abriu sua mente para o mundo da arte. Inspirada por aquelas pessoas novas e interessantes, começou a escrever e se conhecer.
Hanna foi percebendo que a arte estava cada vez mais próxima. Resolveu, então, fazer faculdade de moda. Lembrou das avós e que gostava de costurar, era um ambiente confortável e familiar. A mulher que estava diante daquela máquina era a própria representação do poder feminino e de transformação.

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#Desconstrução e maternidade

Na época em que ela buscou se encontrar, decidiu passar um tempo com o pai, no Rio de Janeiro, e descobriu que estava grávida. Depois do susto, percebeu que era o limite imposto pela vida.

“Ninguém falava de maternidade real, ser mãe e toda a beleza disso. O modelo que existe é construído pelo homem e dá essa função de ‘estar grávida’ para mulher sossegar, para não querer fazer mais nada porque a função dela é só isso aí. O melhor que a maternidade trás é saber que o seu limite não é o limite de fato. Quando você é mãe, ele vai virando um elástico”, relatou Hanna.

Em seguida, ela voltou para a faculdade e começou a se destacar. Ao mesmo tempo, recebia apoio para cuidar do filho pelas mulheres da família. Resolveu se inscrever para um concurso em Londres e, para sua surpresa, foi uma das finalistas. Duas semanas na capital da Inglaterra, sozinha pela primeira vez. Naquele momento, ela compreendeu o poder infinito do ser humano. Não importa se alguém disser que não é possível, ela iria fazer! Quando voltou para o Brasil, se formou e começou a trabalhar com moda. Nesse momento, o lado financeiro não compensava o quanto que ela sacrificava a relação com o filho. O menino acabava ficando com babá.

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# O divisor

Com tudo que tinha acontecido, Hanna decidiu mudar o rumo da vida. A experiência em Londres ainda era latente, e ela sentia que podia ser ainda maior. Ela sonhava que estava lá e que namorava um cantor (é o que dizia aquele lado bruxa que toda a mulher tem). A mãe da Hanna jogou tarot e disse: “Vai porque tá no seu destino e você vai conhecer uma pessoa que vai mudar sua vida”. Tenso né?!

Em um belo bar, com os amigos, conheceu um músico de blues. Quando ele olhou para ela… Sabe cara de susto?! Pois é, a segunda coisa que ele disse: “Foi casa comigo? Sonho com você desde que era pequeno”. Eita!! Mas ela voltou para o Brasil. Se eu chorei (e acho que vocês também), imagina ela! Hanna contou tudo para a mãe. Disse que precisava viver aquilo. A mãe foi lá e comprou outra passagem para a filha e se responsabilizou de cuidar do neto.

Em Londres, ela descobriu um monte de brechós e começou a vender as roupas para as amigas, o que acabou pagando toda a viagem. Depois,  ela ainda criou um brechó online. Por ficar muito tempo em casa, voltou a vontade de desenhar e ilustrar. Num dia qualquer, sua mãe pergunta: “Por que que o de desenho de hoje você não faz na parede invés do papel?”. Então, Hanna usou a técnica de grid, na parede da casa de sua mãe, para desenhar uma figura feminina. Na época, ela já pintava só mulheres, mas ainda não entendia o motivo daquilo.

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#O muralismo

A partir daquele momento, ela começou a pedir os muros da vizinhança para a sua arte. Hanna usava todo o tempo livre que tinha para isso. A artista entendia que as palavras eram mais importantes do que as figuras femininas que desenhava. A intenção era passar uma mensagem que, muitas vezes, vinha na forma de protesto. Um exemplo disso é quando ela escreve “amai-vos”. É um protesto contra a rivalidade entre mulheres e um estímulo para que haja mais amor entre todas. Este conceito surgiu a partir do livro Santa Puta Sagrada, que fala da revolução feminina através da expressão “amai-vos”.

“Não existe nada maior  que o  amor. Nele, há respeito, empatia, admiração. O amor é luz. Amar o outro é deixar sua luz entrar em contato com a luz do outro. A estética tem que ser positiva porque (por mais que tenha um fundo de positivo) algo agressivo ou violento não traz uma energia legal. A pessoa precisa abrir uma porta para o meu diálogo, por isso precisa ser agradável para atingir o máximo de pessoas”, avalia Hanna.

Quando ela começou a pintar, sua única referência era Apolo Torres, artista visual e muralista brasileiro. Com ele, Hanna fez um curso inspirador, o único que tinha no Brasil.

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# As mulheres de Hanna

Desde pequena, as mulheres que estavam em volta dela eram maravilhosas, fortes, guerreiras e muito bruxas. A conexão com a natureza e com os astros era forte, exclusivamente feminino. Ao perceber que o jeito que a mulher era retratada (em geral) era de uma forma caricata e criada por homens, Hanna se sentiu na obrigação de fazer jus a figura da mulher e o que de fato representa. Foi aí que ela começou a pintar as mulheres como Deusas, com traços delicados, com postura firme e forte, sempre como grandes entidades e revolucionando o amor.

Para ela (e para mim), o feminismo é entender que os poderes das mulheres e dos homens têm que se equilibrar. Enquanto o homem está querendo chegar a lua, as mulheres estão querendo cuidar da comunidade. O homem quando está no poder, quer construção, gerar riqueza. A mulher, não. Ela usa o poder para ter empatia e para ter um olhar sensível. Com esses poderes únicos, o mundo seria melhor.

HANNA from DI RODRIGUES on Vimeo.

A sincronicidade

Quando você percebe que é uma ferramenta, você entende alguns sinais. Se você fizer algo a serviço do universo, isso retorna para você como mágica. Hanna faz questão de não imaginar como será o amanhã porque (não necessariamente) o que a gente quer é o melhor. Uma dica muito legal que ela passou foi de ter um caderninho de anotações para escrever todos os dias. De um lado, agradeça até as coisas mais simples. Do outro lado, escreva os seus maiores. O universo sabe o que é melhor para cada um e a mágica se faz.


 

O que você achou sobre a vida e o trabalho da Hanna? Quis trazer a história dela aqui para o ATL Girls para que a gente possa aprender com as experiências da artista e nos emponderar. Exemplos como o dela são importante para que nós, mulheres, possamos nos unir e nos valorizar. AMAI-VOS!

 

Para ver mais coisas da Hanna, clique aqui. Beijos crocantes!

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