Ressignifique sua dor

Vou começar dizendo que esse texto é especialmente, mas não exclusivamente, para os que estão machucados. Todos nós vivemos momentos dolorosos ao longo da nossa vida. Todos nós já vivemos uma perda, seja ela de algum parente ou bicho de estimação, ou daquele amor ou emprego que não deram certo. Claro que as dores atingem e afetam diferentemente cada um e, apesar de entender que a compreensão de dor de cada um é pessoal e única, a compaixão e empatia me permitem entender também que todas essas dores são igualmente importantes.

Pensando na dor é impossível não pensar nas memórias que te trazem dor. A dor emocional só existe porque temos lembranças de antes dessa dor. Certo? Caso contrário, esqueceríamos os motivos das nossas dores e seguiríamos facilmente em frente. Eu sempre tive o péssimo hábito de me adaptar à dor, não de uma maneira saudável, lidando com ela e crescendo com isso, mas no sentido de acostumar-me a viver com ela como uma hóspede totalmente sem noção, que fica pelo tempo que quer e ainda usa minha internet, luz, água e não paga por nada. 

– Dói, mas passa – te dizem.

Tá, eu sei. Eu sei que passa, só me diz quando. 

Eu também jurei que ia agredir a próxima pessoa que me dissesse isso e por mais que eu não tenha coragem de fisicamente agredir ninguém, eu já planejei 10 maneiras diferentes de matar a pessoa na minha cabeça após dizer essa frase. Tenta não me matar mentalmente agora – mas passa!

Tá, calma, eu vou te dar uma dica que tem funcionado pra mim: ressignificar a nossa dor. 

Recentemente vi um vídeo que falava sobre ressignificar lugares de dor e confesso que achei meio bobo em um primeiro momento, mas resolvi fazer isso. Ir a lugares que me lembravam coisas tristes e momentos dolorosos e ressignificar esses lugares, ou seja, criar novas lembranças neles. Fui com meus amigos naquela livraria aqui da cidade onde eu conheci seus pais, levei uma amiga pra tomar uma cerveja naquele bar que me lembrava o nosso primeiro “eu te amo“, ouvi as musicas que você me mostrou com meus amigos na noite que fizemos e surpreendentemente funcionou. Hoje eu já consigo entrar no corredor de massas do supermercado sem lembrar de você, ou sentar no banco da frente sem lembrar de você tentando dirigir sem soltar a minha mão. 

A dica pra quem não tá legal é: realmente, com tempo e paciência, tudo que parece enorme e significativo eventualmente vai se tornando um pequeno quadro na parede das nossas memórias.

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