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Já faz um ano que eu tô solteira e ficar solteira é ótimo, mas não pelos motivos que as pessoas costumam colocar. No começo a gente se sente aleatória, perdida e até meio vazia. Ainda mais depois de namorar por tanto tempo, que foi o meu caso.

No começo a gente se sente sozinha e até meio desacreditada, mesmo que, no meu caso, eu tenha escolhido terminar a relação. Mas terminar uma relação longa te obriga a “se olhar”, e se olhar pode ser muito bom ou muito ruim. Quase sempre é ruim, porque namorar por muito tempo te faz criar uma vida em conjunto, e esquecer um pouco da sua vida individual – o maior erro dos relacionamentos atuais. Pra mim, pelo menos, foi assim. Ao terminar, isso fez com que eu sentisse um vazio enorme e me perguntasse:

E agora?
A primeira resposta: sair, beber e perder o controle por algum tempo. Comecei a sair desenfreadamente e beber na mesma intensidade, e por bastante tempo eu me forcei a acreditar de que isso me completava de certa forma e que preenchia esses vazios. Tudo isso porque eu tinha medo de olhar o meu interior e não reconhecer mais o que morava ali dentro. Alguns chamam de autossabotagem.
Depois de me enganar por alguns bons meses, criei coragem nessa minha cara e resolvi me olhar por dentro. Me isolei por algum tempo pra me reconhecer e, por mais que eu ficasse com um cara ou outro ao longo do caminho, não significava nada porque o meu coração continuava fechado e confuso e, com essa confusão do meu coração, naturalmente todas as minhas escolhas também eram confusas. Com muito esforço fui conseguindo vencer as minhas próprias barreiras e limites e passar por cima do medo de me conhecer, e do medo de deixar outras pessoas me conhecerem.
Esses tempos eu conheci alguém e percebi que eu nem lembrava como era a sensação de conhecer uma pessoa que combina contigo, sentir aquele frio na barriga, aquele nervosismo. É muito bom conhecer pessoas novas. É muito bom descobrir que ainda tem gente legal e interessante por aí. É muito bom, realmente, verdadeiramente, conhecer alguém. Mas melhor do que isso é conhecer alguém já tendo a plena certeza de que a gente se conhece. Ainda existe um interminável número de coisas que eu preciso aprender sobre mim, mas essa é a parte mais legal do processo.
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