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Na última quarta-feira (11), a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), lançou as leituras obrigatórias para o processo seletivo de 2019. E entre as novas literaturas, além dos clássicos escritores como Machado de Assis, tivemos várias surpresas como Shakespeare. Porém, a maior surpresa de todas foi o nome de uma mulher – que até então eu nunca tinha ouvido falar – Maria Firmina dos Reis, autora da obra “Úrsula”.

UFRGS

Maria Firmina nasceu em São Luís, em 1825. Mulata, bastarda e pobre, sofreu muito preconceito, contra o qual lutou bravamente provando seu valor no campo intelectual. Era prima do escritor e educador Sotero dos Reis, de quem recebeu apoio. Ela foi aprovada em concurso público para professora primária, na cidade de Guimarães, e denunciou as injustiças ocorridas no campo da educação, de difícil acesso no século XIX.

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Seu romance mais famoso é Úrsula (o escolhido pela UFRGS), publicado em 1859. De temática abolicionista, a obra retrata os horrores da escravidão e desenvolve as camadas psicológicas dos personagens negros, de grande importância no enredo, apesar de ter no plano principal o amor impossível entre dois personagens brancos.

“Em sua literatura, os escravos são nobres e generosos. Estão em pé de igualdade com os brancos e, quando a autora dá voz a eles, deixa que eles mesmos contem suas tragédias. O que já é um salto imenso em relação a outros textos abolicionistas”, conta a professora Régia Agostinho da Silva, professora da Universidade Federal do Maranhão.

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“Mesquinho e humilde é este livro que vos apresento, leitor. Sei que passará entre o indiferentismo glacial de uns e o riso mofador de outros, e ainda assim dou à lume. (…) Sei que pouco vale esse romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem trato e a conversação dos homens ilustrados”.

Foi com essas palavras que Firmina apresentou “Úrsula. As palavras que revelam a lucidez da escritora sobre sua condição social enquanto mulher e negra no século 19 ficaram registradas no prefácio do livro. A obra foi esquecida por muitos anos no porão de uma biblioteca pública do Maranhão. E hoje ela é leitura obrigatória para o vestibular! Uma grande oportunidade que a UFRGS está nos dando, utilizar dos estudos para – além de entrar no ensino superior – refletir sobre nossa história e sobre a condição de mulheres e escravos na época.

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