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Essa semana eu fiz aniversário, e não sei vocês, mas eu adoro fazer aniversário. Gosto do aniversário porque é um dia para ser lembrada pelas pessoas que amo, dia de receber abraços gostosos e de ver como as pessoas reconhecem, que caso você não tivesse nascido, talvez suas vidas fosse um pouco diferente. Neste dia você percebe de que forma e com que intensidade tocou as pessoas a sua volta.

Adoro aniversários também porque eles me fazem repensar as dezenas (poucas dezenas!) de anos que acúmulo, e os aprendizados que cultivei até aqui. Eu sou daquelas pessoas que mais acertou do que errou – (eu acho!) – mas quem aqui consegue acompanhar essa matemática? E a novidade que percebo todo ano é que quanto mais eu aprendo, mas eu vejo que nada sei. É clichê, eu sei. Mas é a verdade.

Resolvi dar-me de presente na véspera do meu dia, uma revisão do meu curso de meditação, que é muito mais que um curso, e sim um mergulho na arte de viver. Porque pra viver, e não sobreviver, é coisa pra artista, vocês sabem. Tem de pintar o sete. Equilibrar-se em cima da corda bamba. Usar nariz de palhaço, e assim por diante. Eu decidi revisitar a meditação, como uma revisão da primeira lição que aprendi quando estrei toda gloriosa neste mundo: respirar. E sabe, por vezes eu perdi a respiração e entrei em pânico.

E assim, revendo os aprendizados de aniversário, lembrei-me que alguma das maiores derrotas e tragédias da minha vida, foram também seguidas de algumas das coisas mais belas que aprendi.  Veja, foi através da minha síndrome do pânico, que cheguei a minha terapia, onde investi 10 anos da vida na excitante busca pelo autoconhecimento. Claro, nem tudo foi divertido. Mas se hoje eu guardo alguma sanidade, foi porque eu mergulhei de cabeça na tentativa de organizar meus desequilíbrios.

Foi perdendo o maior amor da minha vida que eu descobri o que de fato é tristeza. E quando você entende o que é tristeza (mas tristeza mesmo, daquela que te preenche), você entende a importância da alegria. Você luta por ela com muito mais afinco, não a olha com leviandade e também não abre mão dela de jeito nenhum. Foi encarando uma despedida trágica, que hoje eu olho para os meus problemas tempestuosos como quem encara uma leve brisa. Porque depois que a gente encara a morte de alguém que ama, a gente não deixa qualquer pentelho estragar a vida. Claro que eu trocaria todos esses aprendizados pela chance nunca ter passado por isso. Mas eu não tenho esse poder.  O poder que eu me dei, é aprender com as coisas da vida das quais eu não tenho domínio.

E assim, foi errando nos meus relacionamentos, que eu consegui reconhecer de verdade o que eu quero do amor. E que toda discussão fútil, hoje me faz mais madura para dar importância ao essencial, e não ao banal. Foi perdendo que acendeu dentro de mim uma vontade de ganhar e de vencer. Foi precisando de ajuda, que eu consegui entender que era preciso ajudar o outro, para então me ajudar. Foi a distância de alguns amigos, que me fizeram valorizar os que ficaram. Foi quando superei a dor, que valorizei a cicatriz.  Indo embora, que eu entendi a importância de voltar. Foi chegando ao fundo do poço que descobri que o sentido era pra cima.

Veja, eu não sou de perto a pessoa que eu quero ser.  Mas eu tô no caminho. Eu ainda vou tomar as minhas cachaças e fazer meu namorado, amigos e mãe terem de me botar na cama. Vou dar chilique e depois me arrepender. Tudo isso faz parte. Um grande saco seria ter tudo pronto, resolvido. Imagina ser o único ser iluminado na Terra, que sabe o sentido da vida e tem maturidade emocional para toda situação. Ia achar o resto dos seres mortais todos muito tediosos. Bom mesmo é ralar os joelhos, se assumir errante e poder ver que a gente sabe levantar de um tombo. Ainda mais forte.

Que já não bate cabeça com as coisas que não pode mudar, mas que se levanta correndo e vai atrás daquilo que pode.

No meu curso de meditação, a monitora falava sobre valores opostos, e de como eles se complementam. Porque a gente só reconhece a luz, quando se vê na escuridão. Então perceba que muitas vezes para o aprendizado acontecer, é preciso haver um fator comparativo. A gente só nota que o dia estava bom, quando ele fica ruim. Vê que precisava da presença, quando sentiu a falta. Que algo tão simples e automático quando respirar, é essencial, quando falta o ar.

Valores opostos são de fato complementares. Porque se um dia a gente está numa pior, a única certeza que temos é que no outro estaremos melhores. Não há todo mal que permaneça, ou todo bem que se mantenha. Tudo é transição e passageiro. A mudança é a única que reside em todos nós. Então mais vale agarrar-se a todas as lições do agora. Porque o momento atual, esse sim, é implacável.

Comemore. Chore. Aprenda. Mas acima de tudo esteja sempre alerta aos ensinamentos que a vida te soprar. Do momento em que você respirou pela primeira vez, até o seu último suspiro.

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Aline Mazzocchi é autora do blog Antônia no Divã e colunista do ATL Girls. Por aqui ela fala sobre vida, viagens, comportamento, aprendizados e filosofia viajante. Carimbe seu passaporte com ela aqui no ATL Girls e também no antonianodiva.com.br

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