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Eu nunca quis ser médica, veterinária ou professora.  Nem casar e muito menos ter filhos, sempre fui deixando a vida me levar, sabe? Nesse estilo Martinho da Vila, eu engravidei de uma pessoa que eu não tinha uma relação estável. Minha primeira reação foi de que eu não podia ter aquele bebê, não podia fazer isso com meus pais, muito menos porque sempre bati na madeira quando diziam que eu ia ser a quinta geração da minha família a ter seu primeiro filho no ano que completa 21 anos.

Mas eu fui.

Ao descobrir que estava grávida, eu só conseguia pensar em interromper a gestação, até que meus pais descobriram que eu estava grávida e que eu ia interromper. Lembro até hoje do olhar de decepção do meu pai, mas meus pais me abraçaram e seguimos em frente. Além do meu processo de aceitação ainda tinha que lidar com as pessoas me olhando com cara feia na rua, claro que deviam pensar: “ah coitada, acabou com a vida dela”, só que não eram só eles, eu também estava me julgando, eu também achei que a minha vida tinha acabado, que nunca mais conseguiria ser feliz.

Quando eu engravidei, eu não estava pronta para ser mãe e quando meu filho nasceu, eu também não estava. Meu filho veio 4 semanas antes do previsto. Eu só conseguia pensar que eu não podia ser mãe naquele dia, eu tinha mais um mês para me preparar. Quando ele nasceu, não chorei (e olha que eu sou uma manteiga derretida em pessoa) e não amei meu filho no momento que o vi pela primeira vez. Só conseguia pensar se eu realmente não estava sentindo as minhas pernas por conta da anestesia.

Eu tinha 21 anos, um filho no colo e eu não sabia o que estava fazendo, não sentia aquela história de instinto materno, saber qual era o choro do meu filho, “ah, esse choro é de fome!”, “não, não, esse choro aqui é sono!”.

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Nada disso, pra mim foi como prestar o vestibular, sabe? Você vai eliminando as alternativas, e chega uma hora que você marca tudo A, é mais ou menos assim que eu fazia, na dúvida, colocava no peito para mamar.

E você segue tentando e percebe que aprendeu algumas coisas e é assim que o amor vai nascendo. O amor por um filho nasce das tentativas. Tentando que ele durma um pouco mais ou tentando que ele coma mais aquela colherada de comida, de querer dar sempre mais, querer ser sempre uma mãe melhor e todas as noites estar exausta por isso. Tem dias que me acho uma mãe f***, mas em outros tenho certeza que não nasci pra isso.

Não sou aquela mãe Bela Gil, que cria desenhos com verduras e legumes no prato para que ele coma algo saudável. Sou mais de “hoje tem miojo”. E podem pensar que eu falho mais por ser mãe solteira, mas porque? Porque o meu estado civil define algo em relação a minha maternidade? Só porque não somos uma família dita como tradicional? Quem diz o que é uma família? Eu e meu filho somos uma família, pequena, feliz e cheia de amor.

E eu amo a mulher que a maternidade me tornou e é por isso que eu tenho me empenhado tanto, para empoderar outras milhares de mães. Essas que não conseguem tomar um banho de 5 minutos sem serem interrompidas (isso sem falar que depois que você é mãe, ir ao banheiro é um espetáculo… e sim, meu filho fica pedindo para ver).

Mãe reais e que não merecem ser julgadas a todo momento por uma sociedade que ainda acha que as mães, só podem ser mães, que só falam sobre filhos, mas não, não deixamos de ser mulheres, apenas assumimos uma nova tarefa. Se a mulher gostava de sair para beber com as amigas, porque depois de ser mãe ela não pode mais? Se falava palavrão, adorava ir para a balada, se gostava de ter um momento só dela, mães não podem fazer isso?

Vou revelar um segredo para vocês, mães também fazem sexo…

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Se cria uma ideia de que as mães são seres imaculados, puros, e a sociedade acaba meio que canonizando as mães, e esses dias eu me perguntei sobre isso, porque uma sociedade julga as mães que querem ser mulheres também, isso não soa estranho? Há alguns dias, um amigo me disse algo que me mexeu comigo, ele disse: “Pâmela, tu tem o dom de despertar o melhor das pessoas”.

E isso me fez refletir no quanto eu fui abençoada ao poder usar da minha vida como instrumento de ajudar outras mães, mulheres e sim, muitos pais têm me procurado para dizer que estou ajudando eles também.

A minha trajetória mudou a minha maneira de ver o mundo, e seria injusto da minha parte não compartilhar com outras pessoas, porque isso é um dom, missão, seja lá como você quiser entender.

É surreal alguém chegar em mim em meio do supermercado e dizer: “tu mudou a minha vida”. Isso não tem dinheiro no mundo que possa pagar.

Pois as pessoas que nos seguem, seguem por algum motivo, ou pra que tu divirta elas, ou pra que tu fale alguma coisa que possa confortá-las, então de certa forma somos responsáveis pela vida deles também.

Hoje, as pessoas que acharam que eu tinha acabado com a minha vida, olham surpresas para tudo que conquistei. E eu que não tinha um plano de vida, hoje quero mudar o mundo!

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Beijos pipow <3

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* créditos foto de capa: Mariana Zarth Fotografia

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