woman power

Late que eu to passando. Mas cuidado, se cês gostam de latir, a gente gosta de morder. Eu sei, é lindo esse papo de desconstrução, alguém melhor ser, amadurecer. Faz me adoecer, essa mania de adormecer nossas qualidades. Esse papo de necessidade. Nessa cidade cinzenta. Se ausenta meu peito vazio e se enche meu coração de agonia. Não adianta gritar hinos de dores contidas, se nos rolê da vida cê continua nos colocando em categorias. A gorda. A magra. A Amélia e a vadia. “Essa ai vive dando pros mano das quebrada”. Segura sua onda cara. Não levamos mais desaforo pra casa. Não vamos mais aguentar essa sua postura descarada. Tá escancarada sua limitação. Late que eu to passando mas presta atenção, a gente cansou de vira-lata. A gente cansou de virar lata que cê descarta. Sem demoras, ponho na mesa todas as cartas. Se de ás a reis não perceberem que somos rainhas. Late que eu to passando, mas não esquece que eu não to passando sozinha.

E pro seu teatro de macho hétero oprimido eu tenho uma resposta à altura, procure você a cura pra essa doença chamada machismo. Aqui macho escroto não se cria. “Alô, senhor doutor, é você que cura homofobia”.

To vendo sua cara de desgosto. Não curtem comida amarga? vocês vão ter que nos engolir a contragosto. Se cês tem medo de assombração: prazer, somos o seu encosto. Não adianta ter rima rica, atitude barata. Quando as minas se empoderam, as punchlines vão vir até com imposto.

Late que eu to passando. Mas cuidado. A gente tá acostumada a ouvir latido. Não pensa que vai ser diferente contigo. A gente tá aqui pra desconstruir o racismo, a homofobia, o machismo. O nosso grito de luta tá contido aqui dentro. No coração. E brother, vê se não me empata. Quer ser vira-lata? Mando o dog sentar e dar a pata. Não se preocupa. Eu não vim puxar briga ou disputa. Só preciso dizer que em um momento em que se fala tanto de lugar de fala, a gente deveria aprender o nosso lugar de escuta.

Continua nos dizendo pra fechar a perna. Mudar a conduta. Pode até nos chamar de putas. Mas quero deixar claro que aqui as mina não vão calar a boca e viver o luto. Nosso grito é: somo filhas da rua. Da guerra. da luta.

Instagram ATL Girls