mari texto 29

Com licença. Desculpe o transtorno, mas eu preciso falar do que move tudo ao nosso entorno. A droga do amor. Falhei em dar o contorno. Decidi então construir uma porcaria de um trono pra me proteger de tudo que me machucava. Depois que você quebrou-me em pedaços, enquanto eu juntava estilhaço por estilhaço, quase vencida pelo cansaço, eu resolvi dar a volta por cima. Destruí o castelo de caixas de pizza e garrafas de vinho. Bem vindos a minha história, estamos no capítulo do amor não correspondido. Me pediam calma. Calma? Depois de um coração partido, quem me pedia pra ficar bem, eu tenho certeza de que nunca amou ninguém. Eu chorei até meus olhos virarem uvas passas. Passei dias me convencendo de que tudo passa. Tudo passa. Tudo passa. Quando eu senti sua falta. Tudo passa. Quando eu senti raiva. Tudo passa. Quando eu não queria sair de casa. Tudo passa. Tudo passa. Tudo passa. Não passou. Voltei a beber, não passou. Voltei a sair. Não passou. Descobri então que tem coisas que nunca passam né, senhor doutor?

Fui ao cinema que a gente ia e joguei a primeira bomba. BOOM. Sangue. Mais corações e corpos dilacerados. Fui ao centro histórico. BOOM. Cidade Baixa BOOM. Gritavam suas dores, desesperados. Não adiantou. Explodi o mercado público do nosso primeiro encontro. Onde você disse que não tava pronto. BOOM. Explodi tudo e não foi suficiente, fim. Fui pro slam então explodir tudo isso de você que ainda existe em mim.
O sofrimento nos ensina muito sobre nos mesmos. Sobre nossas fraquezas. Pra isso não tem truque ou macete. Ele foi embora e não se preocupou nem em deixar um bilhete. Ele não levou só o meus CDs e o meu livro mais daora. Ele deixou mil livros e músicas em mim. Me ensinou a gostar ainda mais de Stephen King e HQ. Me ensinou que algumas coisas simplesmente eram pra ser. Desculpa. Acho que no fundo não aprendi essa parte. Não aprendi a amar. Não aprendi a crescer. Depois que cê foi embora com o seu ar blasé. Eu falava sozinha porque algumas coisas eu nunca consegui dizer. Voltei a visitar museus, ir ao cinema e descobri que dava pra achar a histórias interessantes… Sem você. Aprendi que chorar não faz de mim fraca, só fez de mim mais humana. Mais ser. Resolvi então que ia amanhecer diferente.
Acordei pronta pra achar alguém ou algo pra chamar de lar, resolvi dar ao meu coração uma nova oportunidade. Reconstruí aos poucos os lugares que eu explodi na cidade. Ao meu novo amor, que eu ainda não encontrei, se ele estiver em algum desses rolês. Me deixe ser a poesia mais profunda, mas por favor, jura que vai saber me ler. Sem cobranças. Sem complicações. Sem discussão. A cada nova decepção fiquei mais resistente. E hoje em dia, adivinha. Resolvi construir então um novo trono, pra sempre que alguém me quebrar, eu lembrar que eu sou a porra de uma rainha.
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