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Eu sempre me recusei a viver em uma bolha. Sempre me policiei muito pra tentar, pelo menos, entender as pessoas diferentes de mim, e acho que conseguia entendê-las na maioria das vezes, embora eu fosse meio cruel e até um pouco irredutível em alguns dos meus julgamentos. Se eu colocasse na cabeça que eu não gostava de alguém ou que eu não concordava com algo… Era muito, mas muito difícil admitir que eu poderia errar e mais difícil ainda reconhecer que mudar de opinião poderia ser uma opção. Eu vivia em uma espécie de “síndrome orgulho e preconceito”.

Eu sempre me recusei a viver em uma bolha, sempre temi ser um fantoche e ser manipulável. Sempre me preocupava em não escutar o que todo mundo escutava, não usar o que todo mundo usava e por boa parte da minha vida achei que isso faria de mim especial, mas, de certa forma, isso fazia de mim até limitada. O velho mito de que ser diferente é ser especial, quando na verdade, ser diferente é só ser diferente. Foi muito difícil aceitar a minha insignificância e descobrir que o dia a dia das pessoas e que o universo, de modo geral, não seria afetado em nada com a minha ausência ou pelas minhas escolhas. É difícil se desapegar do nosso ego.

Perceber a nossa pequenez e insignificância diante de um universo vasto de tantos outros bilhões de pessoas é necessário pra descobrir uma coisa incrível: nós não somos absolutamente, mas nem um pouquinho diferentes de uma boa parte das pessoas. Cada um de nós é, em certos aspectos como todas as outras pessoas, em outros aspectos como algumas outras pessoas e em mínimos aspectos como nenhuma outra pessoa. É engraçado pensar nessas nossas características que fazem de nós tão iguais aos outros e tão diferentes ao mesmo tempo. Um clichê para o qual eu sempre atentei e que é um clichê por um motivo. Portanto, cada um de nós, mesmo sendo tão igual a tantas outras pessoas, é único.
 
Eu sempre me recusei a viver em uma bolha, e quanto mais eu refletia, mais perguntas me surgiam e mais eu percebia que não só eu vivia em uma bolha, como até as minhas redes sociais contribuíam para que essas tantas diferenças me afastassem de pessoas com as quais eu convivia e me fizessem, em certos aspectos, enxergar as diferenças como algo ruim e que me impedia de conviver em paz com a diferença, àquela mesma diferença que eu sempre admirei por saber que dava uma cor única a cada um de nós.
Nós vivemos em um mundo onde todo mundo quer falar. Pouquíssimos querem ouvir, mas quase ninguém para pra refletir. Esqueçamos por alguns segundos as nossas “bases ideológicas”, esqueçamos por alguns segundos as esquerdas e direitas que ao longo do tempo foram nos afastando nas estradas da vida. As diferenças de pensamento, as inclinações, as ideologias. É verdade. Todo mundo tem uma opinião, mas até que ponto as nossas opiniões são nossas? E não reproduções de opiniões de terceiros? E esses terceiros têm opiniões deles ou de outros terceiros? Então as nossas opiniões são, basicamente, resultado de um filtro de milhões de pessoas que pensaram aquilo antes de nós. Eu sempre me preocupei muito em não deixar que a opinião alheia interferisse nas coisas que eu penso. Quantas pessoas não vivem em cárcere privado dentro de uma prisão religiosa, ideológica ou política? Somos reféns das nossas próprias crenças que são resultado dos pensamentos de outras pessoas. Matamos literal e figurativamente diversas pessoas diariamente por conta dos argumentos e julgamentos que outras pessoas idealizaram, e somos tão intolerantes que reduzimos as pessoas à ruins, desagradáveis e dignas desses nossos julgamentos precipitados somente por pensarem diferente de nós. Diferente, aquele mesmo diferente que achávamos que fazia de nós especial.
Se você não consegue dialogar e ser amigo de alguém que é diferente de você e que talvez não vote na mesma pessoa que você e não frequente a mesma religião que você, eu preciso te contar que você vive em uma bolha social e que isso é mais prejudicial pra você do que pra pessoa que você decide excluir da sua vida. A verdade é muito pessoal e quando eu acredito muito em algo, aquilo se torna uma verdade em minha vida e é delicado demais desmistificar verdades já consolidadas na cabeça de alguém, então é muito mais fácil trabalhar naquele exercício difícil que é: aceitar as pessoas como elas são e se preocupar em querer ser uma pessoa melhor, o que, certamente, influenciará as pessoas com as quais você convive a almejarem melhorar também. Do It. Eu prometo que vai valer a pena. Como é libertador aceitar as pessoas exatamente do jeito que elas vieram à esse mundo com todas essas características, qualidades e defeitos que diferenciam e ao mesmo tempo aproximam elas de tantos outros seres humanos que farão parte desses tantos caminhos que definem a nossa vida. O exercício de aceitar os outros é primordial pra se libertar de julgamentos externos e permitir que os outros nos conheçam como nós realmente somos também, e não tem nada melhor do que poder deitar a cabeça no travesseiro sabendo que a gente pode viver mais um dia dessa nossa simples e extraordinária vida podendo ser exatamente quem a gente é.
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