cidade Mari

Mais uma crônica sobre você. Um copo cheio. Quanto mais eu bebo, mais eu quero beber. Tento escrever e desisto. O álcool queima a minha garganta a cada longo gole que tomo. Uma, duas, três, quatro doses, cinco… E nunca me satisfaz. Falta algo que eu ainda não descobri. E a cada gole, sinto um vazio maior. Cansei.

Eu sei. Eu mudei e você também. Aqueles velhos clichês que já cansamos de ler, ouvir, falar. Mudar nem sempre é ruim, mas nesse caso foi. Pra mim, foi. Experiências ruins, relacionamentos mal resolvidos, angustias guardadas, dores escondidas. Foi um amadurecimento obrigatório e forçado. A gente não amadureceu porque queria mas porque era necessário, pois precisávamos. É a lei da sobrevivência. Ou você se adapta as circunstâncias ou você não segue em frente. Ainda assim, com todo o álcool e o cheiro insuportável de cigarro que eu não consigo tirar de mim… Pois é, depois que você se foi, eu comecei a fumar, algumas coisas nunca mudam, não é mesmo? Como por exemplo, essa mania idiota que nós temos de querer provar um pro outro que está tudo bem. Não está. Eu fui seu vício e você foi o meu. Foi, é… Nem sei mais.
Você continua sofrendo da sua maneira, aí no seu canto, e eu continuo sofrendo aqui no meu. Eu continuo sentada na mesa desse bar meio sujo e nojento, mas eu não ligo. Chopp, Vodca, Whisky, Tequila, qualquer coisa que faça a minha cabeça esquecer, pelo menos por algumas horas, tudo que me faz mal, tudo que me incomoda, me atrasa e me prende. A bebida faz isso, causa essa amnésia momentânea, mas que no dia seguinte se torna mais uma dor, mais um incômodo, e o jeito é sair de novo, pra beber mais e esquecer tudo, mais uma vez.
“Não quero mais amar”, logo decido.
Não sei. Talvez eu leve alguém pra casa. Talvez eu apenas incomode qualquer pessoa contando meus problemas e a fazendo acreditar que qualquer coisa poderia acontecer entre nós, quando eu sei que não poderia, que nada aconteceria.
“Por que você foi embora?” Mais bebida. Um cigarro aceso, uma história pronta, desculpas esfarrapadas, restos de chopp em copos sujos. E o álcool continua me queimando por dentro. Não sei se o nosso caso, é de orgulho ferido ou coração partido.
Armo uma conversa na minha cabeça onde facilmente te convenço que nós dois erramos, que nós dois sofremos. Acho um telefone público. Logo me ocorre que nem sabia que eles ainda existiam. Penso em discar seu número. Será que ainda é o mesmo? Te chamar em alguma rede social seria muito impessoal e transpareceria a minha embriaguez. Um telefonema talvez te provasse que desde que você foi, eu sinto a sua falta… Quem me acompanha é a lua, a escuridão, o resto no fundo do copo, maços de cigarros não terminados, arranjos de um violão desafinado. Tudo ficou uma bagunça. E eu continuo vivendo essa vida que não é minha, saindo com pessoas que não são você.
“Tu, tu, tu”.. chama, (Será que desisto?) “Tu, tu..”
“Alô?”
“Ahm.. Oi” (Onde foi parar tudo que eu planejei dizer, meu deus, me dá um branco, foda-se, vou direto ao ponto) “Tem umas coisas suas na minha casa. Passa lá  e dessa vez… fica. Não vai mais embora.
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