viajar sozinha

Há pouco mais de 2 meses eu voltei da minha primeira experiência viajando sozinha. Foram 45 dias com uma mochila nas costas, em que passei por 6 países da América Latina, a maioria aqui mesmo, na América do Sul (Panamá, Colômbia, Peru, Bolívia, Chile e Argentina). Hoje, depois de ter passado pelo meu luto de viúva da viagem posso dizer racionalmente que foi uma das experiências mais incríveis, intensas e transformadoras da minha vida.

Mas, na verdade eu decidi fazer esse post, pois o que eu mais ouvi quando voltei foi: OMG CELINA SUA LOUCA, TU NÃO TEVE MEDO? E eu ouvi isso da minha vó de 80 anos e do meu primo de 18; das minhas amigas, que me conhecem bem e de gente que tinha acabado de conhecer. E pra mim ficou bem óbvio que o assunto mulher-viajando-sozinha é realmente intrigante para a maioria das pessoas. É algo que está no meu top 3 de melhores coisas que já fiz na vida, então eu resolvi escrever pensando em incentivar quem já pensou no assunto, mas ficou com medo e também para fazer quem nunca cogitou viajar sozinha perder o preconceito e colocar o o pé na estrada.

Se liga nas dicas:

1. Engane seu medo, mas previna-se.

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Respondendo A pergunta: sim, eu tive medo. Mas foi só de avião!
É que eu MORRO de medo de avião. Faço respirações do yoga, terapia e tomo remedinhos e nada resolve. Eu tenho tanto, tanto medo, que antes de viajar eu praticamente só pensava nos vôos e nem me preocupei com os perrengues que eu poderia enfrentar ao longo da viagem. E no fim das contas acho que foi uma boa estratégia, por isso dou essa dica para vocês: é lógico que perrengues virão, principalmente se você viajar como eu, sem quase nada reservado, mas a maioria é impossível de prever, por isso, nem perca seu tempo pensando neles (eu estava perdendo o meu pensando nas panes que meu avião poderia ter, mas você pode pensar em algo mais útil). E, claro, esteja preparada com o que puder: celular habilitado para fazer chamadas em alguma emergência, dinheiro em cartões e guardados em lugares diferentes da mala, alguns remedinhos básicos e um plano de saúde já resolvem a grande maioria dos seus posíveis problemas. E lembre-se, serão os perrengues que deixarão sua viagem especial e que te darão as melhores histórias para contar!

 2. Desapegue do espelho e leve pouca bagagem.

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Mesmo que você não queira viajar com mochila como eu, estará sozinha e quanto menos peso e volumes puder levar, melhor! Nem sempre vai ter alguém para te ajudar a subir uma escada com uma mala super pesada. Aproveita que uma viagem sozinha tem muito de autoconhecimento para desapegar das suas grandes vaidades. Já que ninguém te conhece, experimenta não usar maquiagem; se preocupe em estar confortável e não em estar com o melhor #lookdodia; e não perca seu precioso tempo de viagem secando os cabelos. É hora de viver um pouco desapegada das suas maiores vaidades e quando conseguir vai ver que é libertador, eu garanto! :)
 
3. Fique em hostel.

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Essa dica é ESSENCIAL. Mesmo que você queira muito pensar na vida e ficar só com você mesma a maioria do tempo, nós somos seres sociais e não aguentamos ficar muito tempo sozinhos e o ambiente dos hostels é perfeito para isso. Existem muuuuuitos viajantes na mesma situação e dispostos a fazer amizades Se não gosta muito da ideia de dividir quarto com pessoas que nunca viu na vida, a maioria dos albergues tem quartos privados, e você pode continuar aproveitando a área comum. Procure um com bar, isso é bem importante para a integração entre os hóspedes!

4. Faça amizades, mas não esqueça do seu tempo sozinha.

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É muito fácil fazer amizades em viagem. Eu fiz muitos amigos, alguns que no primeiro dia, parecia que eu conhecia da vida inteira, outros que eu nem entendia direito o que falavam, mas que a energia bateu e eu vou lembrar pra sempre. Em viagens, nós ficamos carentes e nos apegamos mais às pessoas e não é difícil de formarmos um grupo e perdermos o precioso tempo sozinho, que é algo muito importante também. Não deixe de conhecer essas pessoas incríveis que aparecem pelo caminho, mas tire o seu tempo para você mesma, esse momento longe de tudo e todos é precioso e muito diferente de quando você fica sozinha no seu dia a dia normal!

5. Quebre preconceitos e faça coisas que você não faria na sua cidade.

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Essa dica tem um pouco a ver com a de cima, pois provavelmente para fazer novas amizades, você terá que quebrar alguns preconceitos. Explico: uma das pessoas mais interessantes que eu conheci na minha viagem foi o Naresh, um indiano muito querido. Depois de conhecê-lo, tenho até vergonha de admitir que se estivesse viajando com meu namorado ou com amigas, dificilmente me aproximaria dele, por puro preconceito, e estaria perdendo de conhecer alguém incrível e que me ensinou muito de sua cultura, que é totalmente diferente da minha, mas é maravilhosa (aliás, quero a Índia como meu próximo destino!). Quebre seus preconceitos não só para se aproximar de pessoas: viva coisas que nunca pensou em viver, é a sua chance. E se for uma experiência ruim, amanhã você muda, a viagem é sua e é você que decide seu caminho. Se tem receios em dividir quarto com estranhos, tente uma vez antes de dizer que é tão horrível; se nunca pensou em se deitar em uma praça pública e tirar um cochilo no meio da tarde, experimente; se sempre quis fazer aula de surfe, mas nunca teve coragem é agora a hora; se nunca se imaginou indo em uma festa que só toca salsa, é o momento de tentar. E por aí vai… você vai descobrir coisas sobre você mesma que nunca tinha imaginado! Logo que voltei dei de cara com a frase da imagem abaixo e entendi o que me deixava tão feliz de estar viajando sozinha: um dos melhores sentimentos de uma jornada como essa é o de ser totalmente anônima em um lugar em que nunca estive antes. É liberdade PURA! <3

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Ou seja: eu amo o sentimento de ser anônimo em uma cidade que nunca estive antes.

6. Desconecte-se, mas escreva.

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Para que você viva essa experiência com mais intensidade é importante que você se desconecte um pouco, ou pelo menos diminua o ritmo. Logo no meu terceiro dia de viagem eu fui passar dois dias em uma ilha no Panamá que não tinha energia elétrica – logo, não tinha wifi. Na marra, desconectei e percebi que, assim como ficar sem maquiagem, é libertador – nem que seja por uns dias. A sua viagem é SUA, você não precisa contar todos os detalhes para todo mundo, guarde algumas partes dela só para você! Acontece que em uma viagem sozinha acontecem tantas coisas diferentes que a gente tem vontade de registrar (até para não esquecer de alguns detalhes) e escrever – com papel e caneta mesmo – é uma das melhores formas de manter as lembranças vivas e também de colocar para fora possíveis pensamentos e angústias que possam vir na sua cabeça e, por você estar sozinha, vai ser difícil de dividir com alguém. Depois que passa, é muito legal ler esses registros, que foram feitos de você só para você mesma ler, por isso, não precisa ter amarras na hora de escrever!

7. Faça a SUA viagem ser do SEU jeito.

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Uma das maiores vantagens em uma viagem sozinha é fazer o que você quiser, na hora que quiser, durante o tempo que quiser. Ou seja, se for a Paris e não quiser subir na Torre Eiffel, não suba! Não vai ter ninguém te dizendo QUE ABSURDO VIR PARA PARIS E NÃO SUBIR NA TORRE EIFFEL. A escolha é somente sua! Em Cusco, no Peru, o meu lugar preferido era o Mercado San Pedro, uma espécie de Mercado Público, porém bem mais pobre, mas muito típico, cheio de cores, cheiros, sabores e muito artesanato da região (que eu a-m-o). Eu ia lá quase todo dia e as vezes ficava mais de 2h só andando lá dentro, se eu não estivesse viajando sozinha, jamais conseguiria ter feito isso!
Outro exemplo: já disse lá em cima que odeio andar de avião. No meio da minha viagem decidi que já estava perto o suficiente de casa e que não pegaria mais vôos, somente ônibus (e esse lugar “perto o suficiente” era Cusco mesmo). 100% das pessoas que eu falei quando cheguei aqui no Brasil me disseram que jamais fariam isso, mas eu faria e fiz e pra mim foi um dos momentos que mais me senti livre em toda a viagem: decidir que não ia mais voar e não precisar comunicar e nem explicar para absolutamente ninguém dessa decisão. Na SUA viagem, todas as decisões são somente SUAS e de mais ninguém! Isso é bom demais. <3

8. Desconfie, mas sem paranoia.

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Vou contar para vocês que a parte mais difícil da minha viagem era saber quando um homem se aproximava e era legal, se ele realmente estava só sendo legal ou se tinha algum interesse a mais. No começo da viagem eu me fechei muito por causa disso, mas percebi que estava afastando possíveis amigos com essa “paranoia”. Comecei a ser mais receptiva e na grande maioria das vezes tive bons resultados! Dificilmente alguém vai te agarrar à força, existe uma coisa que eu chamei de “solidariedade mochileira”, todos estão na mesma situação e via de regra se respeitam e se ajudam.
 
9. Pesquise sobre seus destinos.

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Aproveitando o gancho do ítem acima, é importante pesquisar sobre o destino que você vai! Por ser uma mulher, e, infelizmente, nós ainda vivemos em um mundo de maioria machista, você terá que tomar algumas precauções extra em certos países ou até evitar outros. Para não se meter em situações difíceis, é importante pesquisar antes. A boa notícia é que a maioria dos países mais turísticos são muito amigáveis com viajantes sozinhas e nós, por morarmos no Brasil, já temos um cuidado natural que algumas gringas ainda não tem, ou seja, já sabemos como nos cuidar! Basta pesquisar sobre o destino que você está indo e ir tranquila.
 
10. Supere, mas nunca esqueça. E já planeje a próxima!

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A sua viagem acabou, você está de volta. Acho difícil que sua primeira viagem sozinha seja uma experiência ruim ou até mesmo morna! Eu voltei sem querer voltar e admito que demorei a me adaptar. Me incomodava ter mais de 3 opções de roupa para vestir, ter que estar com o cabelo arrumado e usar corretivo e pó na cara, andei um pouco mendiga de propósito nas minhas primeiras semanas, fiquei meio irritada com algumas coisas da minha cidade, mas tudo passou. É importante usar a experiência como algo positivo, mas superar a volta e usar os aprendizados positivos para o seu benefício na “vida real”. Logo que voltei, uma amiga que também é adepta desse tipo de viagem me falou: eu trabalho 11 meses para poder ser meio hippie durante 1 mes do meu ano e vale a pena. Vale mesmo! <3

ss

Eu em um dos perrengues mais loucos e incríveis da viagem: finalizando o tour de 3 dias no maior deserto de sal do mundo, na Bolívia. Mesmo sem energia elétrica, sem água quente, e com muito frio, foi uma experiência maravilhosa!

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